• Álvaro Dezidério

Cada Escolha uma renúncia. Mas você sabe disso ?

Atualizado: 31 de out. de 2020


Um dos assuntos que mais tem me interessado é saber, ou tentar aprender, como as pessoas funcionam. um tema espinhoso, já que como diz uma amiga muita querida, “pessoas são máquinas ambulantes de criar problemas”. Uma das linhas de estudo deste tema é a escolha individual (Racionalidade). Kahneman, Ariely, e outros, têm livros e textos muito bacanas sobre isto.  

E dentre estes temas, um dos mais instigantes é o estudo da capacidade de postergar a gratificação imediata e aceitar que com uma dose de paciência o futuro será melhor do que o presente. Esta habilidade é tratada como fundamental para o sucesso na vida, mais até do que a inteligência. Infelizmente não somos programados para pensar assim. Quando falo programação me refiro aos padrões formados pela aprendizagem humana. Nosso cérebro não pensa estatisticamente, a não ser que o forcemos assim (vale visitar o Rápido e Devagar – duas Formas de Pensar, do Kahneman para entender a batalha que travamos dentro de nós). 

Quando aplicamos isto à educação financeira fica bem fácil perceber o dilema. Sempre é uma escolha intertemporal entre prazer hoje e possivelmente mais prazer no futuro. Mas acreditar nisto, ou fazer nosso cérebro crer que o futuro será provavelmente melhor se formos prudentes no presente é onde mora o diabo. Porque o tinhoso está sempre nos detalhes. Gastar menos hoje, e ter mais poupança no futuro, consumir menos calorias hoje e ter menos doenças no futuro, mais horas de sono hoje e menos olheiras no futuro, e por aí vai. Sempre são escolhas intertemporais. Como não conhecemos o futuro, atribuímos probabilidades aos resultados. Criamos um plano, definimos regras, invocamos nossa força de vontade, mas quando acontece algo que nos tira do eixo nosso raciocínio falha, e, conforme Kahneman explicou de forma brilhante, qualquer desvio emocional ou cognitivo faz com que o nosso sistema intuitivo assuma o controle.  

Tá, este meu blá-blá-blá ficou muito abstrato. Deixe-me construir um exemplo homem-mulher mas que pode ser invertido pelo gênero sem perder aplicabilidade. O exemplo é meramente ilustrativo, mas pela minha  experiência como professor, se quem recebe a mensagem não se reconhecer minimamente nos exemplos, o efeito da mensagem é de curtíssimo prazo. 



Uma escolha entre presente e um possível futuro. O argumento de que somos uma sociedade imediatista, explica só uma parte do processo, porém ignora o fato de que teremos que abrir mão de prazer no presente para, possivelmente, obtê-lo no futuro. E não gostamos e não estamos preparados para pensar assim. 

Talvez sejamos mais bem sucedidos se reforçarmos a capacidade das pessoas para pensarem estatisticamente sem entrar em desespero, ou na linha da pesquisa de Muller e Dwek (1998), ou até do famoso estudo de Walter Mischell (aquele do marshmallow), tentarmos reforçar a capacidade de resistir a gratificação imediata, sobretudo nas crianças. Não consigo vê-las captando a mensagem de que devem poupar para o futuro, afinal crianças são questionadoras, mas sim de que se pouparem poderão ao invés de ter um doce, ter dois ou três – uma associação direta entre esforço e recompensa. Pessoal das humanas não me malhem o pau. Economistas acreditam em incentivo diretos. Educadores não (Pelo menos os que eu conheço e me relaciono).

Não sei a resposta. Eu realmente estou escrevendo para tentar organizar as ideias sobre o tema, que me é muito caro. Todavia, a ideia deste pensamento alto é incentivar as perguntas. Se um dia conseguirmos perguntar do jeito certo, quem sabe nos aproximemos das respostas certas e eficazes.

1 abraço de quebrar costelas  


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