• Álvaro Dezidério

Onze Anéis - Phil Jackson

Comprei o livro meio que por acidente. Estava atrás do último livro do Michael Lewis (Flash Boys) e me deparei com o Onze Anéis. E que agradável surpresa. Tanto pelo basquete, como pela aula de gerenciamento de pessoas e talentos, habilidade fundamental nos dias atuais.


Talvez eu tenha gostado mais ainda porque se trata de basquete, esporte que adoro, e da NBA, onde o melhor basquete do mundo é jogado. Assim, a narrativa dos fatos desde as finais até os bastidores das equipes me transportaram aos jogos que assistia na TV e que eu acompanhava pela imprensa nos anos 90 e primeira metade dos anos 2000. Talvez por isso tenha ficado fascinado com o livro e lido em dois finais de semana.


Tirando meu viés, o livro é espetacular. Muito se escreve e fala sobre gestão de talentos, mas é difícil você ouvir (ler) isto de alguém que geriu dois dos melhores jogadores de basquete de todos os tempos. Na verdade um, Michael Jordan é o melhor de todos os tempos. O outro Kobe Bryant, está em vias de estar entre os top 5 da história. E como gerenciar talentos estelares em um ambiente onde a mídia transforma jovens atletas em semi-deuses? É disto que o livro trata.

Como Phil é um estudioso e admirador da filosofia Budista, adaptou seus princípios à gestão dos times. Na verdade não é o budismo. Como diz um amigo, quando o gestor é bom qualquer sistema que ele trouxer vai dar certo. Infelizmente o contrário também é verdade.

Na primeira parte, o Bulls e Michael Jordan. Phil explica com detalhes como entender a personalidade do maior jogador de todos os tempos e sua vontade incomparável de vencer (em qualquer coisa, o que acabou lhe trazendo sérios problemas com apostas), o elevado grau de exigência com os colegas, o distanciamento e a aproximação através do fiel escudeiro, ninguém menos do que Scott Pippen. E tudo isso planejado e aplicado através de técnicas de entendimento das personalidades e de como extrair o melhor delas.

Uma das passagens mais interessantes do livro é quando Phil afirma que, ao contrário do que muitos pensavam, o líder do time não era Michael Jordan, mas sim Pippen. A razão era simples, os demais não viam Michael como humano. Era algo além disto, uma espécie de super homem. É impossível você se conectar com alguém que você não considera humano. Como Pippen era mais próximo e acessível aos demais, este se tornou o líder do time. E como também era o melhor amigo de Michael, a liderança de Pippen sobre o time, e a parceria com Michael, permitiram a Phil dirigir aquele que é considerado por muitos especialistas o melhor time de todos os tempos da NBA, o Bulls de 94-95.

Os capítulos sobre Denis Rodman são uma aula de gerenciamento de pessoas. Como lidar como o melhor defensor da liga, mas que é doido de pedra, e namorava na época a Madonna, o que tornava uma visitinha da namorada ao treino em um espetáculo midiático. Phil foi simplesmente genial, identificando a verdadeira natureza de Denis - um cara carente - e conseguindo integrá-lo ao grupo e extrair seu melhor.


Falando e escrevendo parece fácil, mas fazer isto na prática sobre a pressão do mais competitivo campeonato de basquete do mundo, está longe de ser trivial. Não por acaso foram seis títulos com o Bull, sendo três títulos consecutivos.

A parte do Lakers mostra um lado muito legal, mas outro mais macabro deste esporte. Kobe Bryant, um dos melhores jogadores de todos os tempos, criou tantos problemas para Phil, que após alguns títulos, Phil foi demitido do time já que pediu ao dono do Lakers que mandasse Kobe embora, e mantivesse Shaquille O”neal, já que Kobe embora fosse um jogador espetacular seu ego desagregava a equipe. O dono do Lakers optou por Kobe, e além de negociar Shaq, demitiu Phil, mesmo o Lakers tendo ganho 3 campeonatos consecutivos, até o ano anterior ao ano da demissão. O final da história é obvio. O time bagunçou tanto que Phil foi chamado às pressas para reassumir o time e devolver a capacidade de vitória a equipe.

Qualquer gestor normal exigiria a demissão de Kobe para sua volta. Phil fez o inverso, pedindo sua permanência e ajudando-o a amadurecer e se tornar o jogador espetacular que é. E o Lakers ganhou mais dois títulos depois de sua volta. Phil tem como filosofia avaliar o caráter e conseguir enxergar além do visual. Perceber se a essência de quem você trabalha é boa ou ruim. Tem um belíssimo capítulo no livro sobre isso.

De certa forma, todo o livro é sobre gestão de pessoas de alto desempenho, com os casos aplicados a sua realidade, o basquete.

Não vou detalhar mais e deixo a curiosidade do leitor motivá-lo a aprender com Phil Jackson sobre gerenciamento de talentos. Sobre o tema, é um dos melhores que já li. Para quem gosta de basquete, ou acompanhou a NBA nos anos 90 e anos 2000 como eu, é leitura obrigatória. A narrativa das finais sob a ótica do vestiário fará você, que é fã, lembrar de cada momento, mas desta vez com os detalhes de quem estava dentro do processo. Vai querer ler tudo de uma vez.

Escaparam alguns spoliers, desculpem. Mas é que gostei tanto do livro que não resisti.

1 abraço de quebrar costelas.

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