• Álvaro Dezidério

Sonho Grande - Cristiane Corrêa

Atualizado: 21 de abr. de 2021


Qualquer um que tenha estudado economia/administração e afins na década de 90 (segunda metade, ok?) ouviu falar da história do Banco Garantia. Ícone do mercado financeiro nos anos 80 e 90, o banco representava o sonho do capitalismo moderno. Meritocracia, tratamento direto, sem sobrenome, tempo de casa ou relações pessoais.


Se você entrega resultado você é premiado, se não, cai fora, independente de quem você seja. A regra do 20/70/10 do Jack Welch era aplicada anualmente sem dó nem piedade. Todo mundo fala dela, mas são raras as empresas que implementam isto na prática. Da muita confusão.


Esta é a parte do mito. O que tem de verdade na história é gente muito competente trabalhando de forma alucinada para alcançar seus resultados. E que resultados. Eles conseguiram passar de maior banco de investimentos no Brasil para donos da maior cervejaria do mundo. Agora donos da Heinz (ketchup) e donos do Burguer King na operação mundial. Já ouvi vários rumores que estão se preparando para comprar a Pepsi ou a Coca. Se for verdade, suspeito que o próximo presidente americano republicano vai querer declarar guerra ao Brasil. Se fizeram o que fizeram pelo petróleo, imagina pelos símbolos americanos (hambúrguer, cerveja, ketchup, ...)


A autora consegue escrever uma história sobre três líderes empresariais (na minha visão, os maiores da história do Brasil) sem falar com nenhum dos três. Assim, o livro fica mais interessante porque os pontos de vista sobre as histórias são variados. E têm algumas bem pesadas. Nada ilegal obviamente. Mas o texto é muito bom. A autora fez um trabalho de narrativa fantástico.


Dá vontade de ler de uma vez só. Ah propósito já li Mauá, e guardados os devidos méritos, minha opinião é que eles fizeram mais, e com menos participação do Estado e dinheiro público.


É uma satisfação enorme ver que existem brasileiros fazendo a diferença pelo mundo. E saber que eles dedicam boa parte do dinheiro que ganharam para projetos educacionais no Brasil é estupendo. Por exemplo, o Jorge Paulo pagou do próprio bolso para trazer e viabilizar a tradução das aulas do Salman Khan no Brasil, com acesso livre para todos os estudantes brasileiros. O Sicupira trouxe e financia a Endeavor no Brasil e o Marcel toca a fundação que tenta ajudar a melhorar a qualidade das escolas públicas brasileiras, além de bancar o projeto Smart, que é algo para se orgulhar.


Aplicando a regra que educação boa deve ser dada obrigatoriamente para todos, e o que cada um vai fazer com a sua depois é problema de cada um, eles replicam a máxima das ideias liberais: “A sociedade deve trabalhar para igualar o ponto de partida. Se ele for igual dali para frente são esforços e escolhas. Se ele não for igual, a injustiça se propaga" .


Em minha opinião, a segunda principal lição que fica é pensar pequeno e grande da o mesmo trabalho. Então pense grande. Mas a principal é que isto não é para todo mundo. A carga de abnegação, renúncia ao resto para a dedicação ao sonho é condição necessária, mas não suficiente.


É atribuída a um deles (o Marcel) a famosa frase das avaliações de desempenho: Esforço não é igual a resultado. É só uma parte do que você precisa. E o que me interessa é o resultado, mas não a qualquer preço. Captou?


1 abraço de quebrar costelas

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